Domingo Ela Não Vai: conheça a história do bloco mais axé de Sampa

Notícias

Dois amigos, uma conversa descontraída em uma mesa de bar e uma ideia: celebrar o melhor do axé music anos 90. Assim surgiu o bloco Domingo Ela Não Vai, em 2015, fundado por Alberto Pereira Jr. e Rodrigoh Bueno. O Blocos de Rua conversou com um dos fundadores para saber mais sobre esse queridinho dos foliões paulistas, confira esse bate-papo!

Blocos de Rua: Como o Carnaval entrou na sua vida?

Alberto Pereira Jr: O carnaval sempre fez parte da minha vida. Mas, especificamente o Carnaval de rua de São Paulo, comecei a acompanhar de uns tempos para cá nessa retomada promovida pelo Baixo Augusta. Eu morava na região e acompanhava os blocos que desfilavam pelo Centro.

Além do Carnaval, gosto muito de festas de rua. Acredito que a rua é um espaço democrático em que pessoas de diferentes lugares se encontram e promovem um ambiente de diversão, de troca de ideias.

O que te levou a fundar um bloco de Carnaval? Conte para nós um pouco da história do bloco.

A ideia do “Domingo Ela Não Vai” surgiu em 2015. Eu e um grande amigo, o Rodrigoh Bueno (que acabou se tornando meu sócio no bloco), tínhamos pulado no carnaval de São Paulo em 2015 e, em dezembro, sentados em uma mesa de bar, em pleno começo de verão, começamos a brincar: “e se tivéssemos um bloco de Carnaval?”.

Na época não existiam blocos de axé, e decidimos que nosso bloco seria dedicado a esse ritmo, porque crescemos com os sucessos do É o Tchan estourando na televisão. Papo vai, papo vem, a “brincadeira” começou a tomar forma e já estávamos pensando no nome do bloco. A escolha de “Domingo Ela Não Vai” surgiu porque o “Segura o tchan” era um dos maiores clássicos do axé dos anos 90 e a gente também queria fazer uma brincadeira com o duplo sentido, característica típica das músicas. Afinal, no “domingo ela não vai”, mas na verdade ela pode ir todos os dias, ela, ele, eles, todxs!

Com isso na cabeça, no dia seguinte dessa conversa eu dei um google: “como montar um bloco de carnaval” (risos). Nas primeiras buscas do Google, apareceu o edital da Secretaria de Cultura, alertando que o prazo de inscrições para blocos de rua estava se encerrando para 2016. Foi um momento “meu deus!” e já logo nos inscrevemos rapidamente (risos).

Sugerimos o dia 16 de janeiro, porque não queríamos sair no mesmo dia dos blocos Baixo Augusta, Pilantragi, que são blocos que gostamos e frequentamos. Quanto à quantidade de pessoas que esperávamos, colocamos 500. Pensamos “vai ser uma coisa super pequena, para amigos”. No começo de janeiro, criamos o evento no Facebook espontaneamente, sem ainda ter a confirmação da prefeitura, porque a data escolhida já estava próxima. Sem nenhum tipo de divulgação, o evento começou a bombar e, em mais ou menos 3 dias, já tínhamos mais de 10 mil pessoas interessadas!

Paralelo a isso, a prefeitura entrou em contato falando que “infelizmente essa data que vocês pedem não faz parte do calendário de Carnaval da cidade”. Nos sugeriram uma atualização, propondo uma nova data e escolhemos o 7 de fevereiro. Nos organizamos e, no grande dia, duas horas antes da concentração oficial na Praça do Patriarca, já tinha gente fantasiada. Pensamos “gente, que engraçado, as pessoas realmente levaram à sério.”… e a Praça lotou! Cerca de 45 mil pessoas se concentraram onde o bloco estava e até tivemos que mudar o trajeto, para que todo mundo pudesse nos acompanhar. Foi uma loucura!

Esse foi o dia mais feliz da minha vida, ver aquele monte de gente feliz, dançando, se divertindo, bebendo, namorando, foi maravilhoso. A gente percebia que a música se propagava, as pessoas iam cantando e pulando… foi um dia lindo!

E como foi continuar com esse sucesso, que já começou conquistando tantos foliões?

O bloco já nasceu grande e com responsabilidades. É claro que antes de tudo, também levamos como uma brincadeira, uma diversão para mim e para o meu sócio, mas também é preciso ter muita responsabilidade, porque se tratam de pessoas, né? No segundo ano do bloco já conseguimos patrocínio. Éramos apontados como um dos maiores blocos da cidade e sentimos a necessidade de nos profissionalizar.

Em janeiro de 2017, começamos a pensar em atrações para o bloco e tivemos a ideia de chamar a Gretchen para participar do desfile, e foi um sucesso.  De um ano para o outro, nosso desfile triplicou de tamanho, chegando à levar 150 mil pessoas para a rua.

Para o terceiro ano do bloco (2018), tivemos a Mc Loma e as Gêmeas Lacração, bateria da Vai-Vai, a Mel da Banda Uó, que desde o surgimento foi nossa madrinha, e também trouxemos o cantor Diego Moraes para integrar a banda. Outra novidade é que neste ano, inauguramos o trajeto da 23 de Maio, levando mais de 1 milhão de foliões às ruas. Agora, no segundo semestre, estamos em pleno planejamento para o Carnaval 2019, procurando atrações, pensando em trajetos, indo atrás da captação de verba… A gente não vive de Carnaval, somos foliões, mas não conseguimos mais nos imaginar sem o bloco (risos).

Você acha que existe espaço no calendário – e na cidade – para manter o espírito do Carnaval ao longo do ano? E como você enxerga isso?

Eu adoraria que tivesse um Carnaval a cada 3 meses (risos)! Eu enxergo que sim, o Carnaval pode acontecer ao longo do ano inteiro, é claro que temos que levar em conta o clima. No inverno as pessoas ficam mais introspectivas, os eventos acontecem com menos frequência. Ao longo do ano, realizamos eventos, festas coletivas com outros blocos e também tentamos aproveitar as outras datas comemorativas do calendário como as festas juninas, halloween, virada cultural, parada LGBTQ+, entre outros.

E como folião, que outros blocos você acompanha?

Gosto muito do Tarado Ni Você, João Capota na Alves, Lua Vai, Minhoqueens, Agrada Gregos, Meu Santo é Pop, Desculpa Qualquer Coisa, Siga Bem Caminhoneira, Catuaba, Carnakoo. Pagu, Explode Coração, Love Fest, Sereianos, Agora Vai, Venga Venga, Chacoalha Bichona, são vários blocos e vários diferentes estilos de Carnaval. Isso é muito legal. São Paulo é uma cidade muito plural, todo o Brasil está aqui, então é importante ter o país representado no Carnaval. A pluralidade de sons e ritmos faz parte do que é São Paulo, esse lugar que recebe pessoas de todo o país, do mundo, e todo mundo de alguma maneira acaba se misturando.

 


Depois desse bate-papo a gente já ficou ansioso pelo Carnaval 2019! Mas enquanto ele não chega, dá pra aproveitar muita festa de samba, MPB e axé – é claro – até lá! Confira nossa programação, ou baixe nosso app disponível para Android e iOS e bora animar para os melhores 4 dias do ano!