Tarado Ni Você: conheça a história do bloco que homenageia Caetano Veloso

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O bloco Tarado Ni Você nasceu em 2014, com a ideia de reviver o Carnaval de marchinhas, explorando a ampla discografia do grande Caetano Veloso. Conversamos com Thiago Barbosa, um dos fundadores do bloco, para saber como foi colocar seu bloco na rua, confira.

Como o carnaval entrou na sua vida?

O Carnaval está na minha vida desde a adolescência. Eu sou baiano, nasci em Salvador e, desde criança, eu frequentava o carnaval com os amigos. Viver o carnaval fez parte da minha formação de vida. Com 22 anos eu fui morar em São Paulo e esse era um movimento que ainda não existia na cidade. Até então, meus carnavais eram entre Salvador e Rio de Janeiro.

Em 2012, estava passando o carnaval no Rio e, em uma brincadeira entre amigos, surgiu a ideia de fazer um bloco em homenagem ao Caetano Veloso. Estava todo mundo brincando muito com essa ideia mas, para mim, era algo que fazia sentido, eu via a possibilidade de isso acontecer e dar certo. A partir daí, entre a ideia e o momento da realização do bloco, levei 2 anos para colocar o Tarado na rua.

Por que tanto tempo?

Quando surgiu a ideia, eu criei um grupo fechado no Facebook, em que eu explicava a proposta e pessoas que se identificavam aderiram ao grupo para fazer parte do bloco.

Nesses dois anos, fomos entendendo de que maneira isso poderia acontecer e eu conheci meus atuais sócios. O Tarado é composto por mim e mais outros fundadores do bloco e integrantes da banda que iniciaram esse processo em conjunto. Esses dois anos foram um período de encontro dessas pessoas que puderam tornar o bloco realidade.

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Você tinha experiência de carnaval de outros lugares e decidiu criar seu bloco em São Paulo. Nesse sentido, quais foram as facilidades e dificuldades que você enfrentou nesse processo?

A grande dificuldade era viabilizar um bloco de carnaval sendo pessoa física, sem nenhum incentivo privado. Na época, optamos pelo financiamento coletivo para realizar o projeto. Nós tínhamos vontade, tínhamos pessoas engajadas e o que faltava era uma forma de viabilizar financeiramente o bloco.

O Tarado nasceu no mesmo período em que um desejo latente de Carnaval existia nas pessoas. Na nossa primeira saída, esperávamos um público de 300 foliões e quando estávamos no Minhocão, 2 mil pessoas aguardavam a gente. O Tarado se beneficiou por trazer uma memória afetiva do carnaval de rua e a imagem de Caetano atrelado a um modelo de carnaval que estava se formando no Brasil.

Você participa do carnaval da cidade como organizador de bloco desde 2014. O que você enxerga que mudou com o passar dos anos?

Eu vejo que o carnaval daqui está passando por uma reestruturação gigante, tanto na questão musical quanto em infraestrutura. A gente observa uma grande mudança com a queda do carnaval de Salvador e o aumento no interesse do carnaval de São Paulo.

O formato dos pólos de Carnaval ficou insustentável, Salvador, por exemplo, foi ficando cada vez mais difícil e inviável, porque além dos custos de passagem e hotel, quando você chega vê um carnaval extremamente segregador, onde sua segurança está atrelada ao quanto você pode pagar. Dentro desse processo, o grande público do carnaval (que era em boa parte composto por pessoas de São Paulo) foi perdendo a possibilidade de ir e fazer parte dessa festa, por ser algo financeiramente inacessível.

A medida que você passa a ter uma festa de qualidade na cidade, sem gastar nada, em comparação a Salvador, em que você gasta muito dinheiro, o Carnaval de São Paulo passou a ter muito mais adeptos.

Ficar em São Paulo para o Carnaval tornou-se uma possibilidade desejada pelas pessoas, é um momento de aproveitar a cidade em contexto completamente diferente do que se vive ao longo do ano. Você encontra as pessoas em um contexto festivo, de ocupação do espaço público, alegria e nudismo, além de usar a cidade de uma forma democrática.

Quais são suas expectativas para o Carnaval 2019?

Queremos levar para a rua a alegria de todos os anos, sempre atrelado à um tema que conversa com o coletivo e tentando acertar cada vez mais. O Tarado nasceu como um grupo de pessoas querendo fazer carnaval, hoje nós somos um grupo de pessoas que está aprendendo a fazer carnaval, a cada ano.


Já está ansioso para o próximo Carnaval? Se assim como o Thiago você também está organizando um bloco de carnaval, não deixe de conferir nossas dicas!